Conto erótico: Sexo Sintático

Num desses acasos prováveis no nosso meio de trabalho, nos esbarramos. Eu, que não costumo perder uma cruzada de olhares, não deixei passar.

Gastamos umas duas semanas de criptografia erótica variando entre o metafórico e o explicitíssimo no quartinho privê dos sintéticos cento e quarenta caracteres, vocês sabem de onde. Vocês já estiveram lá, eu sei.

Passagem comprada, ponte aérea, hotel e lençóis brancos e assépticos, tudo que não éramos.

Ele, um clichê irritante e delicioso, tinha um texto afinado onde, com pouquíssima perspicácia era possível apontar onde exatamente ele “personalizava” o mesmo contexto e muitas vezes as mesmas palavras para todos os tipos de mulheres. Sabíamos, ou eu pressupunha o que faríamos ali e sua demora em desfechar o ‘golpe’ me excitava na mesma medida que me cansava.

Enfim, fundidos numa criatura só, fodemos até não sei quando, tempo parado, líquidos fluídicos de orgasmo ininterrupto. Tantra de dois sujos, dois párias sem limites, numa ancestralidade  visceral onde nos entendíamos tão bem…

Passamos a noite experimentando toda sorte de putarias possíveis a dois. Lembro de estar em seu colo e gozar violentamente em êxtase profundo, com um orgasmo condizente, dia de mar em fúria.

Saímos por uma São Paulo gelada para uns goles de saquê, as entidades refinadas queriam mais. (Culpe sempre as entidades)

Casaco e botas de lã, minha buceta nua num vestidinho qualquer, sentia o vento gelado mas continuava quente, esperando próximo round.

Feito. Nos embrenhamos nos lencóis já corrompidos, ele me virou de costas sem tirar minha roupa, apenas levantando, curvou minha coluna a seu dispor e meteu sem dó por trás. Eu também não queria piedade. Rosto róseo no travesseiro, palmadas na bunda, tudo na bunda (rs) e mais um orgasmo épico, forte, romântico, por que não?!

Os lençóis passaram de corrompidos a inutilizáveis. Uma chuveirada e dormimos abraçados satisfeitos.

Ainda tentamos repetir outro dia mas tem coisas que são feitas para serem lembradas assim: únicas.

Nos cruzamos de vez em quando e eu não o reconheço, nem quero.

Aquele homem só existiu aquela fatídica vez, comigo. Você não deve levar a fantasia para jantar.

Esse é outro capítulo.

De volta,

@pietraprincipe