Sim N?o

Dicas de Etiqueta Sexual, Capítulo Primeiro

7 de maio de 2013

Na época de mamãe as moças ‘de família’ faziam um curso de etiqueta muito famoso no RJ que ensinava a usar os talheres direitinho e até a palitar os dentes no escuro.(!) Todas queriam um bom partido para casar-se e ser uma perfeita dona de casa, fosse lá o que isso significasse. Ela concluiu o tal curso, transou umas duas vezes com Al Paicino mesmo e 9 meses depois: eu fui o resultado. (OBRIGADA POR ME/TER!)

Nelson Rodrigues retratava em suas crônicas diárias muito discretamente, mas com destreza ímpar a relação sexual no sagrado matrimônio, onde determinados carinhos não eram permitidos, ou -BATATA!- a esposa não poderia ser considerada ~séria~. Já com as amantes fazia-se o diabo, o inominável.

Hoje, em nossa grande maioria emancipadas (as mulheres), com poder de escolha, virando a esquina do feminismo de scarpin ou rasteirinha, seguimos (quase sempre) o caminho que achamos melhor.

Mas muitas questões ainda permeiam nossos pensamentos cheios de repressão familiar-religiosa ou a nova obrigação do prazer sem limites onde  algumas são capazes vez por outra de se forçarem  àquilo que as amigas e/ou revistas femininas nos impõe, sem ter a menor vontade.

‘Tem que foder no primeiro encontro’ ‘Tem que se preservar até o terceiro’ … Pff!

A verdade, minha amiga, é que você não é obrigada a fazer porra nenhuma. Mas esqueceram de lhes contar essa parte.

O tempo é seu, o ritmo é seu, você trepa com quem quiser (digo, se o homem que você quer estiver a fim tb, afinal, ninguém é obrigado e não, não é  gay porque não te quer…), mas a responsabilidade é sua também. Fifty/ Fifty.

Culpar os homens por não ter uma vida sexual satisfatória não vai te levar a lugar nenhum. Bem, talvez leve à solidão e um ranço de feminismo do tipo que não tem sentido: o amargo.

Juntando as dúvidas mais citadas por vocês via twitter resolvi escrever PEQUENAS DICAS, escritas em módulos, tal e qual um cursinho de etiqueta. Começando hoje com as questões mais simples/comuns. VEM COMIGO!

*Todo homem deve ter direito à sexo oral feito com esmero e VONTADE. No caso de equívoco da moça (Ela não é obrigada a adivinhar) a especificação detalhada, porém persuasiva das suas preferências: cabeça, saco, profundidade e ritmo, deve ser feita VISANDO UM BEM MAIOR.

*Toda mulher deve ter o mesmos direitos acima e que por Nossa Senhora dos Flamingos de Miami, os homens aceitem quando a moça pedir polidamente, é claro, para ir mais devagar ou vice-versa. Cada campainha, um toque, nobres Srs. ;)

*Ainda na fase oral, caso a mulher deseje praticar, ou o ‘homi’ receber o ~beijo grego~ (língua no cu), ir testando com calma, ver como sua ‘dupla’ reage.  DIZEM que é milagroso e que NON mexe com a masculinidade. *-* (amiga, aqui em uófi, começa pelo campinho/períneo que se ABRE todo um mundo novo para vocês.)

*Não se sentir ofendido se a mulher não tiver orgasmo: pressionada, a coitada não vai conseguir MESMO e ainda pode se  sentir obrigada a mentir. NON QUEREMOS ISTO. Com calma ela chega lá.

Por enquanto é só, no próximo capítulo vamos avançar para o nível 2: (xuca/ enema rs), filme pornô, squirts, vibradores, strap on (vulgo cintaralho) e ménage.

 

Metendo aos pouquinhos, beijos de vanilla (por enquanto),

 

@pietraprincipe

 

Vulgaridade Peculiar

9 de abril de 2013

Nunca menospreze o colóquio vulgar.
Não há ‘concha’, ‘cona’ ou ‘xibiu’  que substitua, numa cama, ainda que barroca, uma buceta ou um pau bem falado.
Ah! O falo! Que dama sou eu quando recito o sexo lírico numa sala cheia de eruditos! Malditos papagaios de cor esmaecida repetindo frases de outrem!

 Mas eu?! Ah! Eu quero mais:
Quero que chupe a minha língua, quero perder momentaneamente o ar e junto d’ ele as palavras que coleciono, quero gag ball simbólica de dedos até o limite onde pode -se
Engolir o outro
Quero ser bebida também
Não me entenda mal/ “Don’t get me wrong”, poliglota!
Ou entende ou ignora
Faça-me o favor
De me deixar ajoelhar quando quiser  (e por quanto tempo entenda necessário, eu penso em nós dois, confie.)
E ouvir um sonoro “puta”
(Existe palavra mais bela que puta?)
“Puta, puta, puta….”
A língua estala, violenta e doce
Toda vez que alguém repete como mantra: “puta”
“Sejamos pornográficos” diz o poeta de outro milênio
Mas você continua “mais casto que o nosso avô portugués”
Ora porra!
Ora, porra!
E pede para Deus, Yemanjá ou o pobre Catiço
Que sua próxima foda seja de comer rezando.

Acreditem ou não, hoje estou falando de amor.

@pietraprincipe

A mulher quando quer

20 de março de 2013

A mulher quando quer

até o diabo se benze

pede ‘pelo amor de Deus’

E ela nem ouve

Ouvir, ouve

mas não escuta, cínica

A boca apertada, impassível

que só o quase imperceptível riso sádico no olhar denunciaria

Isto se ela não quisesse tanto assim….

Pois, meu amigo

se ela decidiu, não tem Maquiavel, não tem Marquês

que a a demova da ideia.

‘Má cousa, é má cousa’, alerta a poeta

mas a mulher ama o mal,

é  a sua forma de amar

e a poeta sabe, ela é mulher também

então se cala, não por falta do que dizer

Vira  cúmplice, comparsa,

assente com a cabeça e diz mentalmente:

“Vai, minha filha”

e a mulher já foi

O que ela quer?!

Esfinge dos novos tempos, por vezes devora, por tantas outras é devorada

Mas queria mesmo ser decifrada.

@pietraprincipe

O homem que faz chover

4 de março de 2013

O homem que faz chover não é santo, não é são.

Mas pode sim, ser Pedro.

Ele pode ter qualquer nome, mas eu conto nos dedos, tão raros que são.

Dedos, mãos ou falo.

Só ele não se assusta com o choro iminente e sabe reconhecer o prenúncio de maré que sobe

Entre minhas têmporas, alivia pressionando os polegares ou por vezes com o roçar dos lábios na fronte, o pequeno hiato onde o ar se perde causando uma certa embriaguez de primeiro porre adolescente, toda vez é a primeira.

Aí se dá um momento interessante: todos os ouvidos parecem encostados numa concha, daquelas onde o poeta ouve o marulho e o pobre cético não tem escolha, ele ouve também.

 

O homem que faz chover então se molha, me olha, tempestade sobre o mar calmo, quente, pingos grossos… E me sorri.

 

Eu líquida, lânguida, tantas vezes escorregadia e fugitiva, nesse momento, sou dele. Esta é minha bonança. Não quero anel de compromisso, não quero ser a única.

Quero apenas que me faça chover.

Boa noite,

@pietraprincipe

Nó

5 de fevereiro de 2013

Na semi penumbra do quarto a escassa luz brinca com a sombra 

 

Nudez completa entremeada pelos nós de tensão, de marinheiro, de bondage, metafóricos.

Reais como a força com que me toma

O silêncio interrompido apenas por nossas respirações, entre o suspiro e a sofreguidão

não era dia de berros

com os olhos semi cerrados numa falsa súplica eu peço ‘calma!’

num tom de voz que nem a mim convence

mas que transforma toda culpa e neurose, própria de qualquer mulher

em licença lírica e perfeita

para extravasar desejos ditos sujos e controversos

exposta, estou exposta, docemente constrangida

presente mas aérea

e é bom voar assim

de sua boca uma gota escorre, fluida

certeira

ele, cruel e rude

me provoca a dor que precede orgasmo violento.

Adélia disse e agora sei:

cu é lindo”

(E  ”fazei o que puderdes com esta dádiva)

 

Agora e sempre, amém

@pietraprincipe

 

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