Sim N?o

Conto erótico: Submersos

17 de abril de 2012

Numa situação deveras curiosa, nos conhecemos. Não conto como. Não posso. Tudo que explicitamos em segundos de conversa no tilintar dos dedos no teclado do computador soava irreal. Por que se expor assim para um estranho? As palavras eram mastigadas e cuspidas veementes, certeiras.Tomávamos a liberdade de esmiuçar nossas preferências sexuais em segundos, um complementando o outro com adendos precisos e coincidentes.

Não tínhamos tempos pra jogos, ou talvez tivéssemos, mas não entre nós.Em verdade, éramos muito culpados para julgar alguém, e essa era parte da graça.
Eu não era a musa etérea e incorrúptivel que protagonizava seus sonhos nem ele minha primeira escolha, se o visse num bar, por exemplo, provavelmente não notasse. Quiçá já tivesse esbarrado com ele em algum lugar e nem percebido, quem sabe…
A antecipação mental do encontro físico que fatidicamente aconteceria em breve, deixava o corpo quente, a calcinha molhada, as faces rosadas de tanto sangue pulsando num desejo- pervertido, talvez.
Ele bateu à porta, abri, nos saudamos rapidamente ‘oi’ e nos jogamos num mar de lencóis que nos engoliu enquanto descobríamos os cheiros, toques e sabores um do outro. Nudez completa, aquele momento em que o mundo pára pra gente balançar, numa brincadeira infanto-deturpada de fixação oral para maiores.
Meu pé na sua boca inteiro, seu pau na minha buceta, inteiro também. Não queríamos meia porção, era banquete. Meteu os dedos dentro de mim, todos eles, um a um e fez-se água, muita água… Orgasmo cristalino em incontáveis mililitros que ele pegou em concha de suas próprias mãos e me ministrou como quem dá de beber a quem tem sede num sacramento pecaminoso.
Me virou de frente, puxando pelos cabelos e gozou na minha boca.
Sorrimos, satisfeitos, do jeito que o diabo gosta.
Como o demônio não perdoa, por vezes, queimamos de desejo.
Amém
@pietraprincipe

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