Da balada ao inabalável
12.03 - 10:00hsDesconfiada, saiu com a amiga do trabalho para uma festa de um cara que tinha conhecido em uma casa noturna, também conhecida como balada. A história desse cara em si já era muito louca, tinha conhecido na fila da entrada da balada e acabou quase indo pra praia na saÃda. Chegaram a pegar a estrada, mas depois decidiram cada um seguir o seu caminho. Caminhos estes que se cruzavam novamente, pois eles, de alguma forma, combinaram de ir a esta festa, e pra não ir sozinha, levou a amiga do trabalho.
Não era daquele tipo que precisava de um copo na mão o tempo todo, pois falava com elas, gesticulando, tocando, abraçando. Tudo isso com a amiga. O tal rapaz da fila parecia agora estar em outras filas, pois não trocaram muitas palavras além do oi, como vai, saudade de você e precisamos marcar mais vezes. Nesse meio tempo, até a fichar cair que não ia rolar nada, bateu o olho em alguém. Estava dando uma panorâmica na festa quando sua cabeça passou pela pessoa, mas o pescoço puxou de volta para conferir direito. De alguma forma parecia que o pescoço do rapaz também tinha um imã que puxou a cabeça de volta, porque se olharam nos olhos ao mesmo tempo. O rapaz não era tão rapaz assim e aparentava uma idade e experiência maior que a sua, mas nem por isso desviou o olhar, estava no auge de sua performance.
Como todas as mulheres interessadas, se soltou um pouco mais e dançou de forma frenética-contida, querendo demonstrar abertura, mas mantendo a pose do alto de sua sapatilha. Também não fazia o tipo que fica fofocando descaradamente com as amigas, mas não resistia a um comentário como “Olha que cara gato atrás de você, mas não olha agoraâ€. Eles sempre estão atrás da pessoa pra quem a gente quer mostrar.
Os olhares foram ficando cada vez mais intensos e demorados e a intimidação levou o intimidado a perder a timidez. Pela reciprocidade, nenhum dos dois tinha mais medo de nada, e ele chegou falando que era casado.
- Isso é um problema só seu.
Seu vestido preto velou a moralidade.
- Então vamos sair daqui.
Assim como nos filmes de Win Wenders, ela não gostava de chegar nos lugares, mas gostava de partir. Talvez fosse um caminho pra algo novo, nem que fosse só por uma noite.
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