Encontros efêmeros
23.07 - 09:11hsO encontro é cada vez mais raro. Não ouço mais ninguém falar que vai a um encontro. Em inglês ainda se usa o termo “date†para designar um encontro entre um rapaz e uma garota. No Brasil, o cara vai, no máximo, “sair com uma mina aņao invés de “beber uma breja com os brother.â€.
Ninguém mais quer ter o compromisso de estar sozinho com o outro em um encontro. Quando não se conhece direito a outra pessoa, ao invés de promover um “blind dateâ€, as meninas tentam logo arrastar uma amiga pra ir junto e conseguir escapar logo dali caso o rapaz não surpreenda as suas expectativas.
Quando já se está em um relacionamento, é a vez do homem evitar ficar sozinho com a namorada.
Geralmente, as primeiras idas do casal ao motel são depois de uma grande bebedeira, após uma balada, uma festa ou um churrasco, e não após um encontro romântico.
Até os “dates†americanos estão virando, cada vez mais, coisa de filme hollywoodiano.
Existe certo limite que as pessoas colocam entre elas. Os encontros ocorrem sempre no meio de muitas outras pessoas, o que impede que você realmente consiga manter uma conversa e conheça o outro. Não se troca mais telefone anotado no guardanapo, que o homem guardava como se fosse uma vida, tocando sempre no bolso pra confirmar se o papel ainda estava lá com o número da garota. No máximo ele pede pra algum amigo em comum passar o link do orkut ou do facebook dela, chega em casa, pesquisa e já sabe de sua vida inteira sem nem ter conversado direito.
Claro que isso facilita muita coisa, mas estamos pulando a etapa do encontro. E continuamos perdidos por aÃ, nos esquecendo também que encontramos, no outro, nós mesmos.
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