Sim N?o

A mulher quando quer

20 de março de 2013

A mulher quando quer

até o diabo se benze

pede ‘pelo amor de Deus’

E ela nem ouve

Ouvir, ouve

mas não escuta, cínica

A boca apertada, impassível

que só o quase imperceptível riso sádico no olhar denunciaria

Isto se ela não quisesse tanto assim….

Pois, meu amigo

se ela decidiu, não tem Maquiavel, não tem Marquês

que a a demova da ideia.

‘Má cousa, é má cousa’, alerta a poeta

mas a mulher ama o mal,

é  a sua forma de amar

e a poeta sabe, ela é mulher também

então se cala, não por falta do que dizer

Vira  cúmplice, comparsa,

assente com a cabeça e diz mentalmente:

“Vai, minha filha”

e a mulher já foi

O que ela quer?!

Esfinge dos novos tempos, por vezes devora, por tantas outras é devorada

Mas queria mesmo ser decifrada.

@pietraprincipe

O homem que faz chover

4 de março de 2013

O homem que faz chover não é santo, não é são.

Mas pode sim, ser Pedro.

Ele pode ter qualquer nome, mas eu conto nos dedos, tão raros que são.

Dedos, mãos ou falo.

Só ele não se assusta com o choro iminente e sabe reconhecer o prenúncio de maré que sobe

Entre minhas têmporas, alivia pressionando os polegares ou por vezes com o roçar dos lábios na fronte, o pequeno hiato onde o ar se perde causando uma certa embriaguez de primeiro porre adolescente, toda vez é a primeira.

Aí se dá um momento interessante: todos os ouvidos parecem encostados numa concha, daquelas onde o poeta ouve o marulho e o pobre cético não tem escolha, ele ouve também.

 

O homem que faz chover então se molha, me olha, tempestade sobre o mar calmo, quente, pingos grossos… E me sorri.

 

Eu líquida, lânguida, tantas vezes escorregadia e fugitiva, nesse momento, sou dele. Esta é minha bonança. Não quero anel de compromisso, não quero ser a única.

Quero apenas que me faça chover.

Boa noite,

@pietraprincipe

Nó

5 de fevereiro de 2013

Na semi penumbra do quarto a escassa luz brinca com a sombra 

 

Nudez completa entremeada pelos nós de tensão, de marinheiro, de bondage, metafóricos.

Reais como a força com que me toma

O silêncio interrompido apenas por nossas respirações, entre o suspiro e a sofreguidão

não era dia de berros

com os olhos semi cerrados numa falsa súplica eu peço ‘calma!’

num tom de voz que nem a mim convence

mas que transforma toda culpa e neurose, própria de qualquer mulher

em licença lírica e perfeita

para extravasar desejos ditos sujos e controversos

exposta, estou exposta, docemente constrangida

presente mas aérea

e é bom voar assim

de sua boca uma gota escorre, fluida

certeira

ele, cruel e rude

me provoca a dor que precede orgasmo violento.

Adélia disse e agora sei:

cu é lindo”

(E  ”fazei o que puderdes com esta dádiva)

 

Agora e sempre, amém

@pietraprincipe

 

Texto não revisado: Imagina!

19 de janeiro de 2013

Imagina!

Se fosse incrível todo dia…se fosse incrível de dia! Se fosse de dia…Se fosse todo dia!

Ah! Eu nem queria mesmo! Eu nem queria o mesmo todo dia…hoje em dia pode-se dizer isso?

Os caras não prendem, não batem se você diz isso sendo moça? Se eles não batem, quando você pede, é claro, você se machuca e não sente?

Quando ele sente demais, você não acha enfadonho sentar-se nele?

Imagina um que fale sua língua e use a língua dele e engula sua… Não é mesmo lindo quando ele sabe usá-las? (As línguas…) E quando sabe calar a boca no meio das suas pernas? E quando sabe falar coisas certas na hora exata?

Imagina! E bota a mão na calcinha, pois este Frankeinsten inexiste.

Assim como a métrica e a fluidez desta vez.

Não retroalimentemos o galã da Disney asséptico que nos foi empurrado goela adentro a vida inteira, embora ele nem demonstrasse tanto interesse e nem o transformemos num michê canastrão que tem que estar sempre pronto.

Essa bobagem sem direito a revisão era só uma ode à masturbação, imagina!

 

@pietraprincipe

 

 

 

 

 

Tempo Fluido, Parte dois: Diabo

9 de janeiro de 2013

A última vez que nos vimos a sós eu consegui me lembrar olhando meu relato em ‘Tempo Fluido’ (http://www.useprudence.com.br/delicious/conto-erotico-tempo-fluido/ ) … Mais de um ano e meio!!! Neste hiato o vislumbrei muito rapidamente numa festa em SP, cheiro de cigarro de sempre, cheiro dele todo de sempre. Não vale um real no exato mesmo sentido que também sei não valer, e mesmo assim consegue me vencer. Talvez meu estímulo comece aí.

Mentira!!!! Começa quando eu, dama-loira-dona-do-meu-pequeno-nariz vejo aquele maldito sorriso e os olhos puxados que sabem ser cinzas, verdes, mel e azuis, dependendo da luz (e quase sempre que o vejo é madrugada, não vou mentir-lhes) quando me abre a porta do apartamento de sempre, me dá, em diabólica coreografia um aperto na cintura que faz faltar ar redundantemente  me sufoca, enfim, com uma língua que engole a minha como (do verbo comer, também) duas bocas que fodem, se lambem, se cospem, se chupam. Peço calma, quero observá-lo. Há um prazer em ver o que me dá  esse tesão constrangedor, ando meio cansada de ser vista e adorada. Oras, quero adorar também. Também sou voyuer … rio internamente quando percebo que ele cortou o cabelo castanho, bonito e seu rosto me parece o gato que estampa uma embalagem de chocolates importados. Igual! (hahahha dentro da minha cabeça)

Tenho tempo apenas de observar que o sofá que já me pareceu azul, da última vez estava cinza agora tem um grande pedaço descosturado e uns furos. Ele me joga no sofá, mete a cara na minha buceta e chupa, levantando minhas pernas. Estou ébria, passei o dia bebendo e sinto que os bonecos de Super Heróis, que até então ocupavam apenas um, dos dois quartos da casa, agora ocupam  a sala inteira, ele parece estar lendo Scott Pilgrim, (nossa! não suporto! penso em um milionésimo de segundo)… Tira o pau da bermuda, grande e lindo e coloca na minha boca, violento. Eu, doentinha toda vida, acho o ápice do romance e chupo, com medo do meu aparelho lingual machucar. (QUANTO TEMPO MAIS, DR?) Chupo, como se não houvesse amanhã, sentindo o gosto de vinho quando o pau chega no limite da minha garganta e eu quase engasgo, acho romântico de novo.

Scarface me olha em sua pose clássica na parede e eu penso, “ok, me mate agora”, e peço pra irmos para o quarto.

Ainda tenho o vestido verde suspenso por cima do sutiã preto que ele acaba de arrancar sem jeito, com força.

Há nele uma necessidade de controlar cada posição, cada movimento. Eu gosto, mas sempre acho bonitinho. Me sinto uma boneca de maluco japonês, sabe qual? Me joga na cama bagunçada, segura meus dois braços, me beija engolindo de novo e mete. Como um clichê medíocre, viramos um só, não existe descrição mais precisa, e ele me come, enfia os dedos na minha boca, enfia tudo até onde se tem notícia e eu, transtornada gozo montes de vezes, enquanto ele fala o que sempre fala, mas não me interprete mal, eu amo. Não quer gozar ainda, me vira de costas, me lambe toda, é desses homens que não tem nojo de cu. Deus, Nossa Senhora e Yemanjá abençoem os homens que não tem nojo de cu. E trepamos tanto, no ritmo que ele escolhe, mas que por coincidência (existem?) é o mesmo ritmo exato em que meu sexo pulsa, e se contorce e ri e chora e não sabe mais quem é.

Faz uma manobra estranha e perfeita e seu pau está de novo na minha garganta, gozando, sôfrego. Nesse martírio de delícia que é sua porra na minha boca, eu sou feliz.

Ele quase estraga tudo com uma piada ruim e eu pego meu táxi amarelinho e venho pra casa, ao invés de dormirmos juntos, que era o premeditado.

A sensação é de um assalto, mas um assalto bom, onde você quer mais que se leve tudo.

Todo mundo perde pra alguém. Aprendam a perder, crianças. Pode ser sensacional.

@pietraprincipe

 

 

receba nossa newslleter