Pirata
25.02 - 01:00hsEssa história de não vou me envolver com ninguém no carnaval porque não tem futuro é pura besteira. Concordo que é difícil manter um relacionamento com alguém de outra cidade, que dificilmente verá de novo, mas carnaval é carnaval. O ideal é ir sem planos de se prender a ninguém, mas se de repente rolar, porque não? Quem não tem um grande amor de verão, que pode nunca mais ter visto, mas lembra sempre e bate aquela saudade?
É disso que estou falando.
Sexta-feira, todo mundo de malas prontas pra viajar direto do trabalho. São Paulo, sabe como é o trânsito…se não garantiu a passagem de avião então, se prepara. A semana que antecede o carnaval sempre demora a passar, e todo mundo ali, se guardando no escritório, mas com a cabeça na viagem.
O calor, os e-mails dos amigos, as redes sociais, tudo girando em volta do mundo carnaval, até que chega o dia. As horas de estradas dão uma acalmada nos ânimos, mas Mariana chega empolgada no Rio de Janeiro e resolve enfrentar o bloco mesmo sem dormir direito durante a viagem.
Não importa muito o que Mariana fazia ou com quem foi, o fato é que depois de seguir no “passinho curto” curtindo as marchinhas atrás do bloco, conheceu um menino fantasiado de Piratas do Caribe. E não é que ele parecia o Johnny Depp? Barba por fazer, argola na orelha, cílios grandes. Não trocou uma palavra, mas muitos olhares, e no mesmo momento um caminhou em direção ao outro e os dois se abraçaram, sem falar nada…olho no olho, boca com boca. Ficaram assim durante dois minutos, enquanto o resto do bloco passava em volta deles ladeira abaixo. De repente passou um grupo de rapazes, que ela presumiu serem amigos dele, arrastando o pirata pra longe. Ele ainda ficou olhando por cima do ombro, como quem diz eu volto, mas se perdeu na multidão. Sem reação na hora, ficou parada e voltou a ouvir a música ensurdecedora.
A fantasia era comum, mas e pra achar outro pirata daquele no carnaval?
