Sim N?o

Conto erótico: Augusta

4 de junho de 2013

E era São Paulo, outra vez. Depois de uma semana de trabalho com pequenas licenças poéticas para uma ou duas cervejas, enfim tinha uma noite inteira livre.

Fiz check in no hotel vagabundíssimo da Augusta (gosto de falar ‘Auguxx-ta’ com um xis carioca adolescente, só de implicancia com o som nasal, porém bonitinho dos paulistas).

‘Moço, quero o quarto que parece de motel, aquele com dimer espelho e..’ ‘ok, Pietra, você já é de casa’ ‘err…sou?!’

Peguei as chaves que mais parecem uma comanda do Graal e que sempre confundo com o meu celular e subi, décimo andar.

Duas camas de solteiro, um espelho manchado pelo tempo, um carpete horrendo e um daqueles painéis de motel mesmo, com as opções SOM e LUZ, e colchas de matelassê reluzente no tecido sintético e pobre. EU AMAVA AQUELE LUGAR.

 

Ok, a falta de um frigobar me incomodava um pouco…

 

Ele, também não morava em SP e numa feliz coincidência estava por lá também. Tínhamos doze horas até que ele voltasse para sua cidade, não digo qual.

 

“Vem.” “To indo.”  Simples assim. Perdão à etiqueta, não  há  nada mais romântico-ou quase nada-  que a vontade sem jogos. Principalmente numa rotina onde cada dia é numa cidade e cada dia um hotel e um criado mudo diferente. (‘ah, se eles falassem..’ mini sorriso/devaneio de canto de lábio com a sacadinha infame)

 

Ele chegou com aquela cara mais comum que existe, mas com um ar de superioridade que veste como ninguem. ‘Ok, Majestade,  não sou eu quem vai despi-lo disso, nem quero.’ pensei.

 

Reclamou do hotel, esqueceu em sete segundos de beijo na boca e peitos na cara (ah, ué…)

 

Vestidinho velho arrancado, calcinha puxada pro lado e me chupou por longos minutos. ‘Calma, ainda não’ Não fazia sentido gozar, por enquanto. Tem coisas que merecem ser postergadas, e acredite, este era um raro exemplar de homem que concorda e consegue pôr em prática ‘esse controle’.

 

Ajoelhei para retribuir a ‘atenção’ e ele colocou um travesseiro para proteger meus joelhos do carpete…

‘Ai que lindo!’ (não existe mulher bandida o suficiente para não arrumar subterfúgios para ver amor nas maiores canalhices,mesmo que por um dia. Isso é próprio da alma feminina e quanto mais poeta, mais puta. Aceitem.)

Pau na boca, inteiro, todo, e tudo que vem com ele. Sim, estou falando do saco. Não sei um nome melhor pra ‘saco’, acho ‘escroto’ ‘escrotíssimo’, ha ha.  Ali permaneci por muito muito tempo, reverente a tudo que um pau pode representar. Já torpe e com os olhos sujos de maquiagem preta para cílios -decavence avec elegance e voulez vous coucher avec moi se pá, ele me puxou de volta e beijos na boca desses que valem uma foda, às vezes mais que uma sem -atentem- menosprezar o momento da penetração.

 

Ah! A penetração! A hora de ‘meter’… a verdade do universo se concentra nesse mistério que é a primeira ‘metida’ de uma foda. A gente trabalha, paga as contas e a retribuição do mundo é ESTE EXATO MOMENTO. Nenhuma primeira metida é igual a outra, podem perceber.

 

(suspiros mulherzinha…)

 

Ele gostava/ gosta (não morreu que eu saiba) de ir lá no fundo, sem figura de linguagem, uma forma peculiar de fazer com que você se esfregue nele e não queira parar nunca mais, manipulador como poucos. Gosto assim.

 

Variamos as posicões algumas vezes, o espelho cafona amplificava tudo, num falso swing narcisista que muito me diverte e inebria. (‘a mulher de leão mesmo sem fome…’ peraí, Vinícius, AGORA não!)

 

Ele tinha uma destreza (e a sinistra tb) com as mãos e vamos supor que tenha usado uns bons quatro dedos para me fazer ter mais um orgasmo mirabolante.

Sentei no seu colo, já cansada e ali fiquei no ritmo que ainda podia até que ele gozasse.

Caímos, dormimos e o algum tempo depois o despertador do seu telefone tocou. Ele me beijou a boca, eu balbuciei qualquer coisa e voltei a dormir profundamente.

Acordei feliz com a cama que dormimos, antes próxima à janela, colada no espelho.

Desci e segui pra Bakery, ‘um café por favor’.

@pietraprincipe

Prudence Caipirinha

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