Dentro e Redundante.

Olhei de soslaio com as pernas flexionadas e jogadas para o alto procurando em vão disfarçar minha adoração, ‘Mete.’ Entoei esse ‘quase mantra’, uma ordem feita como pedido humilde, mas não conta para ninguém, não me desvende assim. Há uma tendência maquiavélica própria da mulher que induz sem demonstrar, que parece consentir quando ordena e na verdade urge, você sabe… (Sabe?)

Isto posto, literalmente; dentro, dentro, dentro, encaixe perfeito, ‘mora aqui?’ logo eu que fujo do casamento, naquele momento eu quero morar/quero que more em mim, melhor dizendo. ‘Cadê o ‘habite-se?’ (rio por dentro, DENTRO!)

Balbucio qualquer coisa e tudo é tão quente e certo, há um torpor opiáceo latente, não que eu tenha experimentado ópio, mas a historia é minha e eu conto do jeito que eu quiser, ora porra.

Ainda dentro, ‘isso, fica dentro, tá gostoso assim’, e ele não sai e não apenas não sai como enfia meus dedos do pé na boca enquanto fica dentro, redundantemente dentro, como os redundantes nãos que nessa cama são todos de um ‘sim puríssimo, melhor safra de sims’!

Então me vira sem tirar (‘fica dentro!’) e numa manobra destra estou agora nas pontas dos pés na beira da cama e ele dentro (todos deviam saber o valor de entrar e ficar à vontade) com a bunda virada para luz da lua do meu abajur, ‘isso é sorte, claro que é.’ Eu que não ousaria discordar de mim!
Me morde a nuca, forte e vira meu rosto num ângulo que se faz possível um beijo, com uma língua dessas que se aprecia toda, que invade a boca, incisiva e certeira, talvez violenta, me julguem, eu gosto assim.

Viro de frente mais uma vez, suor e cabelos emaranhados, presos num nó e ele fora, sim, não somos contorcionistas também, né? Mas mete com força de novo, num papai e mamãe de apavorar Freud e enfia dois dedos na minha boca/garganta, e eu acho aquilo um romance (ah, eu acho!) e engulo e lambo lânguida toda sorte de fluidos e gozo vertiginosamente, ele me olha nos olhos, para em seguida fechá-los e tem seu orgasmo libertador.

Com o rosto cor de rosa sorrio. ‘Quanto tempo já passou desde que gozamos? ‘Não sei, foda-se! Foda-me de novo, outra hora, gostoso.’ Pronto. Já podemos voltar à vida la fora, é perfeitíssima para valorizarmos esses momentos de intersecção. DENTRO, DENTRO, DENTRO.

Durmo tranquila, um sono infantil, quiçá inocente.
De volta,
@pietraprincipe