Mea Culpa

Ele não era óbvio. Mas, por ainda ter algo de inocente, adoraria ser, embora não fizesse ideia. Citou Tarantino, Bukowski… -Não sou fã de nenhum, mas ‘sendo violento como o primeiro e sujo como o segundo, podemos nos entender, essa noite- Pensei, já embriagada, divertindo-me e torcendo para abreviarmos as citações clichês de bar e partirmos logo dali.

Fiz todo jogo instintivo, agora sei,  corpo virado, copo idem, em sua direção, concordativa como só sei ser quando realmente interessa.

Apartamento caótico, beijos ébrios.. Hum, ele parecia mais frágil vestido. Era magro, corpo comum, displicente, do jeito que adoro.

Me beijou e mordeu o pescoço por trás fazendo movimentos que marcavam minha pele branca com polegadas vermelhas (amanhã estarão roxas, sorri internamente) , massageando com força em demasia meu trapézio, fazendo retesar ainda mais os músculos já tensos, de uma tensão sexual contida, em vias de, enfim, consumar-se.

Minha buceta molhada, respondendo a cada estímulo, minha mão no seu pau… -Grata surpresa. Grande e duro! -Agradeci à sorte, que não me sorri em qualquer esquina, mas quem me respondeu foi o diabo. Ele consentiu: Vai!

E eu fui. E ele respondeu forte e constante, e delícia… Pontualmente grosseiro e com ares de menino desajeitado, arqueou minha coluna desordenadamente, formando uma cordilheira de vértebras tortas, porém  flexíveis para que pudesse me penetrar inteira, eu de quatro e ele de pé, para fora da cama…

Palavras vulgares soando como poesia nos meus ouvidos, junto com sua língua vez por outra, até que não aguentamos mais e caímos juntos em orgasmo sonoro e visceral.

Puta que pariu. Era melhor do que eu imaginava.

Acordei e não estava certa de nada disso que relato aqui. O inconsciente, esse debochado…

‘Bom dia’, ele disse.

A culpa foi minha,

@pietraprincipe