O homem que faz chover

O homem que faz chover não é santo, não é são.
Mas pode sim, ser Pedro.
Ele pode ter qualquer nome, mas eu conto nos dedos, tão raros que são.
Dedos, mãos ou falo.
Só ele não se assusta com o choro iminente e sabe reconhecer o prenúncio de maré que sobe
Entre minhas têmporas, alivia pressionando os polegares ou por vezes com o roçar dos lábios na fronte, o pequeno hiato onde o ar se perde causando uma certa embriaguez de primeiro porre adolescente, toda vez é a primeira.
Aí se dá um momento interessante: todos os ouvidos parecem encostados numa concha, daquelas onde o poeta ouve o marulho e o pobre cético não tem escolha, ele ouve também.

O homem que faz chover então se molha, me olha, tempestade sobre o mar calmo, quente, pingos grossos… E me sorri.

Eu líquida, lânguida, tantas vezes escorregadia e fugitiva, nesse momento, sou dele. Esta é minha bonança. Não quero anel de compromisso, não quero ser a única.
Quero apenas que me faça chover.
Boa noite,
@pietraprincipe