Tempo Fluido, Parte dois: Diabo

A última vez que nos vimos a sós eu consegui me lembrar olhando meu relato em ‘Tempo Fluido’ (http://www.useprudence.com.br/delicious/conto-erotico-tempo-fluido/ ) … Mais de um ano e meio!!! Neste hiato o vislumbrei muito rapidamente numa festa em SP, cheiro de cigarro de sempre, cheiro dele todo de sempre. Não vale um real no exato mesmo sentido que também sei não valer, e mesmo assim consegue me vencer. Talvez meu estímulo comece aí.

Mentira!!!! Começa quando eu, dama-loira-dona-do-meu-pequeno-nariz vejo aquele maldito sorriso e os olhos puxados que sabem ser cinzas, verdes, mel e azuis, dependendo da luz (e quase sempre que o vejo é madrugada, não vou mentir-lhes) quando me abre a porta do apartamento de sempre, me dá, em diabólica coreografia um aperto na cintura que faz faltar ar redundantemente  me sufoca, enfim, com uma língua que engole a minha como (do verbo comer, também) duas bocas que fodem, se lambem, se cospem, se chupam. Peço calma, quero observá-lo. Há um prazer em ver o que me dá  esse tesão constrangedor, ando meio cansada de ser vista e adorada. Oras, quero adorar também. Também sou voyuer … rio internamente quando percebo que ele cortou o cabelo castanho, bonito e seu rosto me parece o gato que estampa uma embalagem de chocolates importados. Igual! (hahahha dentro da minha cabeça)

Tenho tempo apenas de observar que o sofá que já me pareceu azul, da última vez estava cinza agora tem um grande pedaço descosturado e uns furos. Ele me joga no sofá, mete a cara na minha buceta e chupa, levantando minhas pernas. Estou ébria, passei o dia bebendo e sinto que os bonecos de Super Heróis, que até então ocupavam apenas um, dos dois quartos da casa, agora ocupam  a sala inteira, ele parece estar lendo Scott Pilgrim, (nossa! não suporto! penso em um milionésimo de segundo)… Tira o pau da bermuda, grande e lindo e coloca na minha boca, violento. Eu, doentinha toda vida, acho o ápice do romance e chupo, com medo do meu aparelho lingual machucar. (QUANTO TEMPO MAIS, DR?) Chupo, como se não houvesse amanhã, sentindo o gosto de vinho quando o pau chega no limite da minha garganta e eu quase engasgo, acho romântico de novo.

Scarface me olha em sua pose clássica na parede e eu penso, “ok, me mate agora”, e peço pra irmos para o quarto.

Ainda tenho o vestido verde suspenso por cima do sutiã preto que ele acaba de arrancar sem jeito, com força.

Há nele uma necessidade de controlar cada posição, cada movimento. Eu gosto, mas sempre acho bonitinho. Me sinto uma boneca de maluco japonês, sabe qual? Me joga na cama bagunçada, segura meus dois braços, me beija engolindo de novo e mete. Como um clichê medíocre, viramos um só, não existe descrição mais precisa, e ele me come, enfia os dedos na minha boca, enfia tudo até onde se tem notícia e eu, transtornada gozo montes de vezes, enquanto ele fala o que sempre fala, mas não me interprete mal, eu amo. Não quer gozar ainda, me vira de costas, me lambe toda, é desses homens que não tem nojo de cu. Deus, Nossa Senhora e Yemanjá abençoem os homens que não tem nojo de cu. E trepamos tanto, no ritmo que ele escolhe, mas que por coincidência (existem?) é o mesmo ritmo exato em que meu sexo pulsa, e se contorce e ri e chora e não sabe mais quem é.

Faz uma manobra estranha e perfeita e seu pau está de novo na minha garganta, gozando, sôfrego. Nesse martírio de delícia que é sua porra na minha boca, eu sou feliz.

Ele quase estraga tudo com uma piada ruim e eu pego meu táxi amarelinho e venho pra casa, ao invés de dormirmos juntos, que era o premeditado.

A sensação é de um assalto, mas um assalto bom, onde você quer mais que se leve tudo.

Todo mundo perde pra alguém. Aprendam a perder, crianças. Pode ser sensacional.

@pietraprincipe