Vulgaridade Peculiar

Nunca menospreze o colóquio vulgar.
Não há ‘concha’, ‘cona’ ou ‘xibiu’ que substitua, numa cama, ainda que barroca, uma buceta ou um pau bem falado.
Ah! O falo! Que dama sou eu quando recito o sexo lírico numa sala cheia de eruditos! Malditos papagaios de cor esmaecida repetindo frases de outrem!
Mas eu?! Ah! Eu quero mais:
Quero que chupe a minha língua, quero perder momentaneamente o ar e junto d’ ele as palavras que coleciono, quero gag ball simbólica de dedos até o limite onde pode -se
Engolir o outro
Quero ser bebida também
Não me entenda mal/ “Don’t get me wrong”, poliglota!
Ou entende ou ignora
Faça-me o favor
De me deixar ajoelhar quando quiser (e por quanto tempo entenda necessário, eu penso em nós dois, confie.)
E ouvir um sonoro “puta”
(Existe palavra mais bela que puta?)
“Puta, puta, puta….”
A língua estala, violenta e doce
Toda vez que alguém repete como mantra: “puta”
“Sejamos pornográficos” diz o poeta de outro milênio
Mas você continua “mais casto que o nosso avô portugués”
Ora porra!
Ora, porra!
E pede para Deus, Yemanjá ou o pobre Catiço
Que sua próxima foda seja de comer rezando.
Acreditem ou não, hoje estou falando de amor.
@pietraprincipe